terça-feira, 17 de junho de 2014

Cristo e a lei no sermão da montanha


“Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e Ele passou a ensiná-los”. Mateus 5:1 e 2

Um breve contexto:

"O Sermão do Monte é o mais importante discurso proferido em toda a história da humanidade. Mahatma Gandhi afirmou que se todos os textos sagrados do mundo fossem perdidos, mas o Sermão do Monte fosse preservado, então nada teria se perdido. Essas extraordinárias palavras de Jesus, de fato, ocupam lugar de absoluto destaque na história”.  (Rene Kivitz )

"Jesus não fala à multidão, Ele fala a Seus discípulos. Seguindo a tradição dos rabinos e seus Talmidim (discípulos) daquele tempo, os aprendizes se aproximaram, o Mestre se assentou e passou a ensiná-los”. (Talmidim)

Contexto de Ellen White:

“O sermão da montanha, conquanto feito especialmente para os discípulos, foi proferido aos ouvidos da multidão. Após a ordenação dos apóstolos, Jesus foi com eles para a praia do mar”.


"Ali, de manhã cedo, começara o povo a se reunir. Além das costumadas multidões das cidades da Galiléia, havia gente da Judéia e da própria Jerusalém; da Peréia, de Decápolis, da Iduméia, para o sul da Judéia; e de Tiro, e Sidom, as cidades fenícias da costa do Mediterrâneo. "Ouvindo quão grandes coisas fazia" (Mar. 3:8), "tinham vindo para O ouvir, e serem curados das suas enfermidades. ... Porque saía dEle virtude, e curava a todos." Luc. 6:17-19."


“O lugar dos discípulos era sempre próximo a Jesus. O povo comprimia-se constantemente em torno dEle, mas os discípulos entendiam que seu lugar junto do Mestre não devia ser tomado pela multidão. Sentaram-se-Lhe bem próximo, de modo a não perder nenhuma palavra de Suas instruções. Eram ouvintes atentos, ansiosos por compreender as verdades que teriam de dar a conhecer em todas as terras em todos os séculos. Com a impressão de que podiam esperar qualquer coisa acima do comum, apertaram-se todos em volta do Mestre”.

Porque sermão da montanha?

“A estreita praia não oferecia espaço ao alcance de Sua voz para todos quantos O desejavam ouvir, e Jesus os conduziu de volta à encosta da montanha. Chegando a um espaço plano, que proporcionava aprazível lugar de reunião para vasto auditório, sentou-Se Ele próprio na relva, e os discípulos e a multidão seguiram-Lhe o exemplo”.

Porque eles estavam tão ansiosos?

Acreditavam que o reino seria em breve estabelecido, e em vista dos acontecimentos daquela manhã, convenceram-se de que seria feita alguma declaração a esse respeito. Também a multidão estava em atitude de expectativa, e a ansiedade das fisionomias atestava o profundo interesse”.

Esperavam um Messias Político-Militar

“Ao sentar-se o povo na verdejante encosta, aguardando as palavras do divino Mestre, tinham o coração cheio de pensamentos quanto à glória futura. Havia escribas e fariseus que esperavam o dia em que lhes seria dado domínio sobre os odiados romanos, e possuíssem as riquezas do grande império do mundo. Os pobres camponeses e pescadores esperavam ouvir a certeza de que suas míseras choças, o escasso alimento, a vida de árduo labutar e o temor da necessidade, deviam ser trocados por mansões onde reinassem abundância e dias de sossego”.

“Todos os corações fremiam à orgulhosa esperança de que Israel seria em breve honrado ante as nações como os escolhidos do Senhor, e Jerusalém exaltada como a sede do reino universal”.

O QUE JESUS FEZ?

- Cristo decepcionou essa esperança de mundana grandeza.

- Ele queria ensinar os princípios do Seu reino.

“Quando reúne seus discípulos no monte, Jesus fala como um novo Moisés. Moisés recebeu a Torá de Deus no monte Sinai. Jesus reúne Seus discipulos também em um monte. O paralelo é evidente. Por isso, Jesus se pronuncia dizendo: "Vocês ouviram o que foi dito (por Moisés); mas eu lhes digo.." Nada será como antes, agora quem fala é Jesus. Moisés foi o legislador de Israel. O sermão do Monte é o pronunciamento de um outro legislador”.

Moisés foi o libertador de Israel. O sermão do Monte é o pronunciamento de um outro libertador.

Libertador do que?

Em seu Sermão do Monte, Jesus confronta todos os agentes que oprimem o ser humano - seja Roma, sejam o diabo e os espíritos do mal, ou seja mesmo a má interpretação da lei de Moisés. Jesus se pronuncia contrariando todos os discursos de seu tempo e todos os valores de impérios e potestades que oprimem pela maldade”.

O que nos interessa é Jesus e a lei, a terceira parte do sermão.

“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas, não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra”.  Mateus 5:17 e 18

Porque Jesus precisou falar isso após as duas belíssimas primeiras seções do sermão da montanha?

"Os fariseus se orgulhavam da obediência que prestavam à lei; sabiam, todavia, tão pouco de seus princípios pela prática diária, que para eles as palavras do Salvador soavam qual heresia”.

“Murmuravam uns para os outros que estava menosprezando a lei. Jesus leu-lhes os pensamentos, e respondeu aos mesmos, dizendo: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir." Mat. 5:17. Aí refuta Jesus a acusação dos fariseus. Sua missão para o mundo é reivindicar os sagrados direitos da lei que O acusam de violar”.

“Ele veio para explicar a relação da lei para com o homem, e exemplificar-lhe os preceitos mediante Sua própria vida de obediência”.

O problema:

 Jesus quis combater a visão clara do fundamento da justiça dos fariseus: Colocaram a ênfase na letra da lei moral, corromperam a compreensão da lei cerimonial, enalteceram com força os mandamentos de homens, os preceitos de homens e a tradição dos anciãos.

“Jesus procurando despertar os fariseus e mestres da lei, demonstra a diferença entre a sua justiça e a justiça estabelecida por Deus para o pecador que aceita a graça”.

Detalhe: Os fariseus que defendiam a lei, estavam planejando matar Jesus. Como é possível?

Jesus leva a lei a um nível muito profundo:

  Ela não foca o ato, mas, a motivação para cometer o ato. O pecado começa no coração.

"O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São essas coisas que contaminam o homem."  Mat. 15:11, 19 e 20.

O pensamento do povo após as bem-aventuranças era: Quem pode se salvar? Quem pode entrar no reino de Deus?

- Se depender de nós mesmos, nunca entraremos no céu.

“A lei foi dada para os convencer do pecado, e revelar-lhes sua necessidade de um Salvador. Assim o faria, à medida que seus princípios fossem aplicados ao coração pelo Espírito Santo”.

 A lei nos condena e nos revela a nossa condição.

“Na vida de Cristo se tornam patentes os princípios da lei; e, ao tocar o Espírito Santo de Deus o coração, ao revelar a luz de Cristo aos homens a necessidade que têm de Seu sangue purificador e de Sua justificadora justiça, a lei é ainda um instrumento em nos levar a Cristo para sermos justificados pela fé”.

Se a lei de Deus pudesse haver sido mudada ou anulada, então Cristo não teria necessitado sofrer as conseqüências de nossa transgressão. Ele veio para explicar a relação da lei para com o homem, e exemplificar-lhe os preceitos mediante Sua própria vida de obediência.

Como vivê-la? Através da graça. Da nova vida.

Como viver a nova vida?

Quando compreendo a grandeza do amor de Deus por mim, um pecador.

"Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos". II Cor. 8:9 


Deus “não quer” nossa obediência meramente, ao invés disto, ele quer nosso coração.

“Se o coração está ganho, tudo está ganho”. Martinho Lutero

“O verdadeiro caráter não se molda exteriormente; irradia do interior”.

A lei é uma expressão do pensamento de Deus.

John Stott disse:

“A lei moral expressa o caráter justo de Deus. Contudo esta não é a lei do seu próprio ser somente, é também do nosso visto que Ele nos criou a Sua imagem, e ao fazê-lo, escreveu os requisitos da sua lei em nossos corações (Rm. 2:15). Por isso, a uma correspondência vital entre a lei de Deus e nós. O transgredir a lei, ofende nosso bem-estar mais elevado, como também ofende a autoridade e o amor de Deus”.

O que é verdadeira Justiça?

“O ideal do caráter cristão, é a semelhança com Cristo. Como o Filho do homem foi perfeito em Sua vida, assim devem Seus seguidores ser perfeitos na sua”.

Como guardar a lei?

Permaneça ligado a videira:

“Os pecadores só se podem tornar justos, à medida que têm fé em Deus, e mantêm vital ligação com Ele. Então a verdadeira piedade lhes elevará os pensamentos e enobrecerá a vida”. 

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Referências bibliográficas:

KIVITZ, E. Rene. Talmidin - O passo a passo de Jesus. São Paulo, SP: Editora Mundo Cristão, 2012. 

Salvo indicação contrária, todas as referências bíblicas neste texto são da:
SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. A Bíblia Sagrada. Revista e Atualizada no Brasil. 2° ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

STOTT, John. A cruz de Cristo. São Paulo: Editora Vida, 1991.


WHITE, Ellen. O desejado de todas as nações. 22ª ed. Capítulo 31: O sermão da montanha. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2010.

Breve exegese de Isaías 1:18 a 20


“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse”. Isaías 1:18 a 20

1.      Autoria

O primeiro versículo deste livro coloca Isaías, o filho de Amoz, como o seu autor. O nome “Isaias” significa “O SENHOR é salvação”. A visão e a profecia são reivindicadas quaro vezes por Isaías; seu nome é mencionado mais doze vezes no livro. Seu nome também aparece doze vezes em 2 Reis e quatro vezes em 2 Crônicas.
O Livro de Isaías é citado diretamente no Novo Testamento vinte e uma vezes sendo atribuído em cada caso ao profeta Isaías. Argumentos diversos favorecem a autoria única: 1) palavras– chave e frases-chave estão igualmente distribuídas através de todo o livro; 2) referências à paisagem e as cores locais são uniformes. A beleza de estilo superior na poesia hebraica nos últimos capítulos de Is pode ser explicada pela mudança de assunto, de julgamento e súplica para consolo e segurança.
Ben Siraque, em "Eclesiástico” 49:17-25, escrito aproximadamente 185 a.C., disse, "Isaías, filho de Amoz", escreveu o livro (1.1; 12.1; 13.1). II Crônicas 32.32 atestam à visão de Isaías e o paralelo em Reis (II Rs 18.19-20.19).


2.      Destinatário(s)

Este texto revela a visão que o profeta Isaías teve, revelando o descontentamento da parte de Deus com relação a seu povo. Deus queria que seu povo entendesse o que realmente era ser Israel. Exortou fortemente para que lembrassem a quem eles pertenciam, e anunciar que seus pecados e seu sistema de religião estritamente ritualístico eram abomináveis para Ele, chegando a chamar a nação de hipócrita. Com isso Deus queria enfatizar a verdadeira religião.

3.      Gênero

As habilidades literárias de Isaías superam todos os profetas. Seus jogos de palavra e poesia são majestosos e intrigantes. O livro é principalmente poesia. É difícil sentar e ler tudo de Isaías de uma vez. É difícil esboçar o livro. Isto é porque Isaías era um pregador, não um autor ou editor. Seu livro registra suas mensagens faladas.
Porém, na perícope, encontramos um gênero literário de caráter profético, cuja sentença profética trata-se de um oráculo de juízo. Inicialmente, definimos como oráculo, uma declaração feita em nome de Deus, que o profeta recebeu a missão de anunciar, destinado tanto a indivíduo(s) quanto à coletividade. Esta perícope está inserida num conjunto de profecias dos capítulos de 1-12, destinadas a Judá e Jerusalém. Dentro da literatura profética, este gênero literário é classificado como um “dito”, que é a categoria mais ampla na tradição dos assim chamados profetas literários. Portanto, neste caso, um “dito profético”.

4.      Ambiente histórico

Isaías profetizou nos dias de "Uzias, Jotao, Acaz e Ezequias, reis de Judá" (Is 1:1). A nação tinha se dividido depois da morte de Salomão (1 Rs 12), porem o sacerdócio e o trono de Davi ficaram com Judá. As dez tribos do Norte formaram o reino de Israel (Efraim), tendo Samaria como capital, ao passo que Benjamim e Judá uniram-se para formar o reino de Judá, tendo como capital a cidade de Jerusalém. Apesar de Isaias ter predito a queda de Israel para a Assíria (Is 28), o que ocorreu em 722 a.C., seu principal enfoque foi sobre Judá e Jerusalém (Is 1:1 ). Uzias também e chamado de Azarias. Aos dezesseis anos, tornou-se co-regente com seu pai, Amazias, e reinou por cinquenta e dois anos (792-740 a.C.). Quando seu pai foi assassinado em 767 a.C., Uzias tornou- se o único soberano e conduziu a nação a seus melhores dias desde Davi e Salomão (2 Rs 14:17-22; 15:1-7; 2 Cr 26:1- 15).
Foi no ano da morte de Uzias que Isaias foi chamado para o ministério (Is 6:1). Jotão tornou-se co-regente depois que seu pai foi acometido de lepra e mostrou ser um bom rei (2 Rs 15:32-38; 2 Cr 27). Governou por dezesseis anos, e foi durante esse tempo que o império assírio começou a surgir como uma nova e ameaçadora potencia. Durante os últimos doze anos do reinado de Jotao, seu filho, Acaz, foi co-regente, mas Acaz nao foi um dos bons reis de Judá.
Acaz fez alianças políticas que acabaram amarrando Judá a Assíria (2 Rs 16; 2 Cr 28).  O reino de Judá sofria ameaças constantes do Egito, ao sul, e da Síria e Israel, ao norte, e Acaz dependia de uma aliança com a Assíria para se defender. Isaias advertiu Acaz que suas alianças com os gentios pagãos nao iriam funcionar e encorajou o rei a confiar somente no Senhor (Is 7). Ezequias reinou vinte e nove anos e foi um dos grandes reis de Judá (2 Rs 18 - 20; 2 Cr 29 - 32). Não apenas fortaleceu a cidade de Jerusalém e a nação de Judá, como também liderou seu povo de volta a Deus. Construiu o famoso sistema de fornecimento de água que existe ate hoje em Jerusalém. O ministério de Isaias estendeu-se por um período de cinquenta anos, de 739 a.C. (ano da morte de Uzias) ate 686 a.C. (ano da morte de Ezequias), e provavelmente se estendeu também aos primeiros anos do reinado de Manasses. Foi uma época difícil, de conturbações internacionais, em que potencias sucessivas ameaçaram a nação de Juda. Porem, os maiores perigos para a nação não eram externos, mas sim internos. Apesar da liderança piedosa do rei Ezequias, Juda não teve outros reis tementes a Deus. Um por um, todos os sucessores de Ezequias conduziram a nação a uma decadência política e espiritual, culminando com o cativeiro na Babilônia.

5.      Mensagem

Podemos resumir a mensagem teológica do livro da seguinte maneira. O Senhor cumprira o seu ideal para Israel purificando o povo por meio de julgamento e restabelecendo-o a uma relação renovada ligada ao concerto. Estabelecera Jerusalém como capital do reino mundial e reconciliara as nações outrora hostis a Ele.
Como muitos dos outros profetas pré-exílicos, Isaías veio como mensageiro especialmente comissionado do Senhor do concerto de Israel para acusar o povo rebelde, chama-lo ao arrependimento e avisa-lo do julgamento iminente.
A primeira unidade literária do livro (1.2-20) toma a forma de ação judicial do concerto, na qual o Senhor acusa o povo de rebelião e faz um ultimato. O Senhor e chamado “o Santo de Israel” (v. 4), titulo referente à sua autoridade soberana sobre Israel e serve de lembrança das suas exigências éticas e morais.
Comparando o povo pecador aos antigos habitantes de Sodoma e Gomorra (v. 10), o Senhor denuncia os rituais vazios e os adverte que o verdadeiro arrependimento, na forma de justiça social e econômica, pode salvá-los da ruína total. A persistência no pecado trará a morte pela espada; o arrependimento trará a prosperidade renovada (v. 19,20). O jogo de palavras e usado para realçar as alternativas que o Senhor colocou diante do povo: Ou “comereis [ ’akal] o bem desta terra”, ou “sereis devorados [’akal novamente] a espada”. As violações do povo de Deus relacionadas ao concerto classificam-se em varias categorias, entre elas a injustiça social, a idolatria, as alianças estrangeiras, a confiança em armamentos e fortificações humanas e a rejeição do mensageiro e da palavra do Senhor.
O relato de Isaías divide-se em duas seções: do capítulo 1 ao 39 e do 40 ao 66. A primeira seção adverte os judeus da invasão iminente dos assírios a Judá, e a segunda encoraja os cativos a retornarem do cativeiro na Babilônia. O tema principal da primeira seção é a disciplina de Deus a Judá por seus pecados, enquanto o da segunda é o conforto de Deus para os cativos após o sofrimento deles. Isaías viveu os eventos dos primeiros 39 capítulos, mas profetizou os eventos da última seção do livro. Na primeira seção, a Assíria era o principal inimigo, na última era a Babilônia.
A perícope em si, descreve uma cena em um tribunal. Deus convocou o tribunal e declarou as acusações. Apresentou seu caso e declarou a nação culpada, mas ofereceu aos acusados a oportunidade de se arrependerem e de serem perdoados. De que maneira Deus descreveu seu povo pecador? Eram filhos rebeldes, menos dedicados ao Senhor do que animais a seus donos.
A palavra traduzida por "arrazoemos", no versículo 18, significa "decidir um caso no tribunal", mas em vez de anunciar um julgamento, o Juiz ofereceu perdão. Se eles se purificassem arrependendo- se e deixando o pecado (v. 16,17; ver 2 Co 7:1), então Deus "limparia a ficha" do povo em resposta a sua fé (Is 1:18).

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Referências Bibliográficas 

PFEIFFER. CHARLES F. E  HARRISON, EVERETT F. Comentário Bíblico Moody. Sâo Paulo: Editora Batista Regular, 2010.

UTLEY, Bob. Panorama do antigo testamento. Bible lessons international.

WIERSBE, Warren. Comentário Bíblico Antigo Testamento. Santo André: Editora Geográfica, 2008.

______ , Warren. Comentário Bíblico Expositivo : Antigo Testamento : volume IV, Profético; traduzido por Susana E. Klassen. Santo André, SP : Geográfica editora, 2006.

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento – Isaías 1ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O pecado de mão erguida

Artigo produzido em co-autoria com Pr. Ronan Freitas.

Mão erguida

INTRODUÇÃO

Ao ler-se o texto bíblico, é muito comum se deparar com passagens que geram confusão ou ambiguidade, em que a compreensão correta vai além do conhecimento que se tem da língua ou da capacidade de interpretação de texto.
A compreensão do contexto original em que foram escritos, o que inclui a cultura, a língua, a história, dentre outros muitos fatores que exercem influência no entendimento, e é onde se deve cavar fundo em estudos para se atingir tal objetivo, o que apesar de ser uma tarefa teológica, não é uma tarefa mística[1].
Seria muito fácil se a clareza do texto estivesse na superfície, o que é muito mais frequente[2] mas não a realidade em todas as situações, como é o caso do texto em questão, Números 15:30 e 31, onde se encontra um termo incomum para o presente tempo: “pecado de mão erguida” algumas vezes traduzido como pecar atrevidamente. 
 Na tradução bíblica de João Ferreira de Almeida revista e atualizada, é encontrado em Números 15:30 e 31 um texto referente ao pecado com “mão erguida” numa seção avaliada como “o castigo pela presunção”.

Mas a pessoa que fizer alguma coisa atrevidamente, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao SENHOR; tal pessoa será eliminada do meio do seu povo, pois desprezou a palavra do SENHOR e violou o seu mandamento; será eliminada essa pessoa, e a sua iniquidade será sobre ela (Números 15:30 e 31).

Duas expressões deste verso nos chamam a atenção: “atrevidamente” e “eliminada”.

ESPRESSÃO “ATREVIDAMENTE”

A referente expressão “atrevidamente” (verso 30), o que literalmente no hebraico significa “com a mão levantada”, com a intenção expressa de pecar.[3]
Estes “atrevidos” são considerados pecadores presunçosos, que pecam intencionalmente contra a vontade e a glória de Deus. Este pecado evidencia um desprezo à palavra do Senhor. Eles desprezam-na, porque tem a motivação de se acharem muito grandes, muito bons e muito sábios para serem governados por ela. [4]
A “mão alta” (erguida), representa toda uma atitude de orgulho contra Deus, isto é, transgressões atrevidas, ousadas, deliberadas da mais plena evidência e em desprezo à autoridade divina. Tal conduta é “injúria ao SENHOR.” É como se os mandamentos de Deus fossem desnecessários, sem finalidade e prejudiciais à felicidade humana; como se o favor de Deus fosse indesejável ou a sua ira não devesse ser temida. Em resumo, como se fosse mais vantajoso rebelar-se contra Deus do que servi-lo. [5]
A presunção significa um audacioso desafio aos mandamentos de Deus, embora a pessoa ainda espere pela sua misericórdia. [6]
Ao trazer-se para um contexto contemporâneo, após evidenciadas irregularidades no caso do “mensalão”, e o mesmo ter sido julgado pela suprema corte do Brasil, e terem sido considerados culpados alguns integrantes do governo federal brasileiro e líderes do partido da situação, o PT,  no dia 15 de novembro de 2013, foram expedidos os mandados de prisão para os envolvidos, onde, tais indivíduos protagonizaram cenas que tornaram-se icônicas, ao serem presos, os condenados exibiram-se para as câmeras erguendo o punho cerrado, acima da cabeça,  em um claro sinal de afronta à justiça e a um país inteiro, sinal este que nos remete ao tema em questão, o pecado de mão erguida, pecado dos atrevidos, dos presunçosos.
Existem alguns termos bíblicos que se associam intimamente ao “pecado de mão erguida”, são eles:
1. Presumir (em hebraico ‘apai. ou “ser neligente, orgulhoso”), como os israelitas rebeldes que de forma descuidada subiram o monte (Nm 14.44; cf. Dt 1.43).
2. Agir com orgulho (heb., zud, literalmente “sentir, ir”, agir com desequilíbrio, ser arrogante, altivo), um termo aplicado àqueles que intencionalmente desobedecem aos mandamentos de Deus. (Ex 21.14; Dt 1.43; 17.13; 18.20).
 3. Arrogância, orgulho (em hebraico zed, ou “insolente, altivo”), como no Salmos 19,13 quando se fala sobre “pecados de presunção” que nascem de uma orgulhosa autoconfiança, e assim tais rebeldes deveriam ser rigorosamente castigados. A palavra zed é encontrada em Salmos 86.14; 119.21,51,69,78,85,122; Provérbios 21.24; Isaías 13.11; Jeremias 43.2; Malaquias 3.15; 4.1 significando muitas vezes “orgulho, impiedade, insolência”.
4. Arrogância (heb: zadon, “orgulho, presunção”), personificada pela Babilônia, que agiu com arrogância contra Deus ao queimar seu Templo e levar seu povo prisioneiro (Jr 50.31,32). Cf. Deuteronômio 17.12; 18.22; 1Samuel 17.28; Provérbios 11.2; 13.10; 21.24; Jeremias 49.16; Ezequiel 7.10; Obadias 3, onde ocorre a mesma palavra hebraica que expressa orgulho (q.v.).
5. Presunção (em hebraico byad rama, “com arrogância”), que em Números 15.30 significa desafiar, ou rebelar-se abertamente contra Deus. Tal pessoa deveria ser eliminada (Gn 17.14) sem a possibilidade de perdão porque havia desprezado a Palavra do Senhor (Nm 15.31).
6. Atrevimento, desafio (em grego tolmetes, ou pessoa “atrevida e desafiadora”), um termo aplicado a pessoas obstinadas que resistem e desprezam à autoridade (2 Pe 2.10). Os pecados da presunção devem ser sempre distinguidos dos pecados da ignorância e da fraqueza. Os pecados da presunção são cometidos conscientemente (Jo 15.22), de maneira premeditada e deliberada (Pv 6.14; Salmos 36.4), com rebeldia (Jr 44.16; Dt 1.43) e repetidamente (Salmos 78.17).

PECANDO ATREVIDAMENTE

Logo em seguida aos dois versos da seção que faz referência ao pecado de mão erguida, conta-se uma história pelo autor, onde é evidenciado um pecado de mão erguida, ao que nos parece que este exemplo foi propositadamente introduzido para ilustrar a lei anterior.
O homem desprezou a palavra do Senhor, quebrou atrevidamente o seu mandamento e por isso, foi punido com a morte.
A ofensa foi apanhar lenha no dia de sábado, para fazer um fogo, enquanto as pessoas assavam e ferviam o que precisavam, um dia antes (Ex 16:23). Isso foi considerado como uma afronta tanto à lei como ao Legislador[7]. Este parecia ser um crime pequeno, mas era uma violação da lei do sábado, e assim era um menosprezo ao Criador.
O sábado era dedicado à honra de Deus e é notado neste episódio que aqueles que o encontraram apanhando lenha, pelo zelo que tinham pela honra do sábado, levaram-no a Moisés e Arão, e a toda a congregação. Isto indica que, sendo sábado, a congregação estaria, àquela hora, reunida com Moisés e Arão, para receber deles instruções, e para acompanhá-los na adoração religiosa. Aparentemente, até mesmo os israelitas comuns, embora houvesse muitos erros entre si, não ficaram satisfeitos em ver o sábado profanado, o que era um bom sinal de que nâo tinham abandonado a Deus, nem tinham sido completamente abandonados por Ele. Visto que o sábado era um símbolo do pacto, a sua profanação era particularmente séria (Ex 20:8, Dt 5:15).
Deus pretendeu este castigo para dar um aviso à todos, para firmar a consciência da importância do sábado. O direito de Deus para um dia de devoção à si mesmo, foi negado e disputado apenas por causa do orgulho e incredulidade do coração dos impenitentes[8].
Por veredicto Divino este homem rebelde devia morrer. Ellen G. White explana

O ato deste homem foi uma violação voluntária e deliberada do quarto mandamento - pecado este não cometido por inadvertência ou ignorância, mas por presunção. (WHITE, 2007, p. 409)

O autor Tzi, diz que
O coletor de madeira viola a lei, porque ele acredita que a lei não se aplica mais. Reunindo madeira no sábado ele decreta a revogação da aliança do Sinai, especialmente na medida em que vividamente sugere uma reversão para o estado de escravidão no Egito. Assim como os israelitas no Egito reuniam palha para fazer tijolos, então agora o coletor de madeira reúne varas, e ele faz isso no sábado, como que para confirmar sua condição de escravo ao faraó pelo próprio negação a si mesmo do descanso que ele seria como escravo de Deus. Com o seu movimento para a frente para Canaã frustrado , o coletor de madeira simbolicamente se volta para trás para o Egito, assim como o povo defendeu ao ouvir o relato das espiões: Vamos nomear um líder e voltar para o Egito. (NOVICK, s/d, p. 5)

EXPRESSÃO “ELIMINADA”

Apesar de a expiação alcançar a qualquer pecado arrependido, o sistema de sacrifícios não fornecia expiação para a oposição deliberada à vontade e aos mandamentos de Deus.[9]
O pecado cometido com a mão levantada (Num. 15:30), ou em atitude de desafio contra Deus e sua lei, consciente e acintosamente, recebe esta pena porque desprezou a Palavra do Senhor (BEACON, 2012). Este é um extremo de pecado que arruína a graça de Deus e desafia tudo o que Deus diz ou quer (Rm 1.18-31; Hb 10.26-31; 2 Pe 2.20,21).
Este pecado é diferente porque só pode ser cometido por alguém que conhecia a lei (Ex 31.14,15; 35.2,3) e que indubitavelmente tivera ampla oportunidade de ver a lei em ação. Apesar disto, despreza a lei e desafia a Deus[10].
Pecar "atrevidamente" significa desobedecer à lei de Deus deliberada e arrogantemente, sabendo muito bem dos perigos envolvidos. No hebraico, o termo significa, literalmente, "pecar de punho em riste", como se a pessoa estivesse agitando o punho no rosto de Deus  e desafiando-o a fazer alguma coisa. Os pecados atrevidos são cometidos por pessoas como aquelas descritas por Paulo: "Não há temor de Deus diante de seus olhos" (Rm 3:18).
Eles não apenas haviam desobedecido à lei de Deus, mas também o haviam feito de uma forma que afrontava a vontade de Deus e que desprezava a Palavra de Deus. Não haviam sacrifícios para pecados intencionais cometidos atrevidamente, de modo que não havia perdão para eles[11].
 É interessante notarmos que para vários tipos de pecados há perdão, exceto para a apostasia mais extrema que seria equivalente ao pecado contra o Espírito Santo no Novo Testamento (Mt 12.31,32; 1 Jo 5.16).
Deus providenciou perdão aos pecados de ignorância - casos em que tanto a congregação como um todo ou indivíduos pudessem ter transgredido inadvertidamente - com base nas ofertas queimadas acompanhadas com a expiação pelo sangue (Lv. 4). A oferta pelo pecado era oferecida também para pecados específicos, tais como se recusar a testemunhar, a profanação do cerimonial ou um juramento em falso (Lv 5.1-13). Ainda que esta classe de pecados podiam ser considerados como intencionais, não representavam um desafio calculado a Deus castigado pela morte (Nm 15.27-31). Mas Ele também esclareceu, que, se um homem agisse com más intenções (atrevidamente), devia ser desligado do povo, levando a sua própria iniquidade[12].
Estes dois sistemas de expiação para pecados de ignorância e pecados específicos revelam que nenhum pecado é tão insignificante para Deus que possa ser ignorado[13]. Os sacrifícios são necessários sempre que for quebrado um dos mandamentos, quer por omissão, quer por comissão[14].
Interessante perceber que estes pecados de “mão levantada” não eram pecados de natureza gravíssima ou mesmo pecados voluntários. Treiyer (1992, p. 164), por exemplo, lembra que um falso juramento feito em nome de Deus por um ladrão era considerado um pecado gravíssimo e irrevogável (Êxo 20:7; Lev 19:12; Num 30:2; Deut 23:21-23; Jos 9:19; Jz 11:35 e etc.), contudo perdoável mediante o arrependimento e substituição (Lev 6:2-7 e 19:11-13).
Os pecados de “mão erguida” então, seriam, na verdade aqueles em que o pecador não se arrependeu, aqueles em que existe uma postura aberta de rebelião e confronto a Deus[15]. Esses eram os únicos pecados que não eram expiados por ocasião do dia da expiação e é espantoso o fato de que mesmo os pecados de rebelião, se fossem arrependidos eram perdoados, mas estes não.
O capítulo 23 de Levítico parece expor isso de uma maneira clara. Ali é demonstrado (v. 29) que aqueles que não se afligissem seriam extirpados do povo. Esse ponto deixa evidente que os pecadores que se arrependessem e se colocassem debaixo do sistema de substituição, ainda que tendo cometido pecados graves, eram mantidos no meio do povo. Por outro lado os que se negavam ao arrependimento eram eliminados do meio do arraial[16].
Levítico 6:1-7 permite expiação sacrificial em alguns casos de pecado deliberado, se o pecador confessar publicamente a sua falta, fizer restituição completa à parte prejudicada e oferecer uma oferta pela culpa. O Novo Testamento contém advertências severas semelhantes à respeito da impossibilidade de perdão em casos de apostasia deliberada. “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo.” (Hb 10:26, referindo-se a DT 17: 2-6; cf. Mc 3:29; I Jo 1:7; 5:16).
Perdão divino pressupõe uma verdadeira, sincera contrição, sentindo o peso do pecado e uma disposição para obedecer a Deus com alegria.  O profeta considera isto como um assunto de vida ou morte:

"Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse." (Isa. 1:18-20; ver também Deut. 28:47)[17].

O santuário abria o caminho para o perdão sacerdotal dos pecados de ignorância, que são pecados cometidos involuntariamente, sem o pleno conhecimento de seu significado diante de Deus, e após sério arrependimento dele. Arrependimento era o critério decisivo, implicando confissão e o abandono do pecado, como afirmado no livro de Provérbios: "O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia" (Prov. 28:13).
Pecado cometido "com a mão levantada" (versão Almeida revista e corrigida - ARC) significa não uma queda acidental no pecado, mas uma entrega ao pecado em uma atitude de desafiar a autoridade de Deus. A característica desse tipo de pecado é a ausência de qualquer verdadeiro arrependimento. Revelando posteriormente que o pecado é acariciado e justificado pelo indivíduo [18].
Estas características não implicam em que seres mortais podem determinar quando um pecado de presunção está sendo cometido. Quem pode discernir os motivos do coração de  um homem? Jeremias, o escritor bíblico, nos lembra que

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações (Jer. 17:9-10).

Na situação apresentada em Números 15:35, notamos que Deus deu o veredicto, não Moisés, nos mostrando que Deus é quem opera este tipo de julgamento.
Se a verdade é persistentemente resistida e recusada, a voz do Espírito Santo cessa de ser ouvida e a alma é deixada em terrível escuridão. Esta é possivelmente a condição à qual Paulo se referiu quando descreveu certas consciências “cauterizadas” (I Tim. 4:2). Para um homem culpado pelo pecado contra o Espírito Santo, a oportunidade de salvação já se fechou e “já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo” (Heb. 10:26, 27; Judas 12, 13). Esta foi a terrível condição do Rei Saul (I Sam. 16:14; cf. 28:6), Esaú (Heb. 12:16, 17) e Judas (cf João17:12) e como será a condição de todos os impenitentes (Apoc. 22:11).
 Paulo solenemente advertiu seus leitores a não “apagar” (gr. sbennumi, “extinguir”, “jogar fora”, “abafar”, “suprimir”) o Espírito Santo (I Tess. 5:19), “no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef. 4:30).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nota-se com este artigo que a gravidade da desobediência do indivíduo é proporcional ao nível de revelação que ele obteve de Deus. Quando presencia-se grandes revelações de Deus e comete-se uma desobediência aparentemente banal e persistida, revela-se com isto uma total desconsideração à autoridade divina na vida do indivíduo.
A condenação do sujeito não é tanto pelo fato de Deus tê-lo abandonado, mas, que seu coração se corrompeu e se endureceu levando-o à cauterizar sua própria consciência em relação a voz do Espírito Santo. Sendo uma decisão pessoal, cada pessoa precisa ter a consciência da responsabilidade da construção do próprio caráter:

Os atos hoje praticados são transferidos para os livros do Céu, assim como um filme é transferido pelo artista para a chapa de impressão. Determinarão eles o nosso destino para a eternidade, para a bem-aventurança ou para a perda eterna e agoniante remorso. O caráter não pode ser mudado quando Cristo vier, nem justamente quando o homem está prestes a morrer. A edificação do caráter deve realizar-se nesta vida. Tememos que tarde demais venha o arrependimento à alma manchada e condescendente consigo mesma. Algumas resoluções, algumas lágrimas nunca anularão uma vida culpada que passou, nem apagarão dos livros dos Céus as transgressões, os pecados voluntários conhecidos dos que tiveram a preciosa luz da verdade e podem explicar as Escrituras aos outros, enquanto o pecado e a iniqüidade são sorvidos como águas roubadas. Como se fossem escritos com pena de ferro, podem-se encontrar gravados na rocha para sempre. (WHITE, Testemunhos para ministros e obreiros evangélicos, p. 430)

Conclui-se que o pecado de mão erguida é caracterizado quando a pessoa vai alem da oportunidade de arrependimento verdadeiro. A recusa para arrepender-se, por rejeição de obediência voluntária ao concerto de Deus, caracteriza o pecado como “pecado de presunção”.[19]


 _________________

[1] Stuart Douglas e Fee Gordon D. Manual de Exegese bíblica, Ed Vida Nova, São Paulo, 2008
[2] Gordon D. Fee & Douglas Stuart – Entendes o Que Lês? 2ª edição , Ed  Vida Nova, São Paulo, 1997            
[3] (ver Dt. 17:12, Sl. 19:13).
[4]  HENRY, 2007
[5] SBB, 2005
[6] WYCLIFFE, 2007
[7] HENRY, 2008
[8] HENRY, 2007
[9] SDABC, xxxx).
[10] (BEACON, 2012).
[11] WIERSB, 2006
[12] MOODY, xxxx.
[13] SCHULTZ, xxxx
[14] WENHAM, 1985.
[15] Lopes, 2013
[16] Lopes, 2013
[17] (LARONDELLE, 1971)
[18] (LARONDELLE, 1971).
[19] LARONDELLE, 1971


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Comentário Bíblico Adventista v. 1. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011

Comentário Bíblico Beacon v.1. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Rio de Janeiro, Brasil: 2012.

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HENRY, MATTHEW. Comentário Bíblico Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Assembleia de Deus, 2008.

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LARONDELLE, Hans K. The biblical idea of perfection. Kampen: Andrews University Monograph Series, 1971.

LOPES, BRUNO F. C. Justiça Imputada na última geração. UNASP, Engenheiro Coelho, 2013

NOVICK, Tzvi. Harvard Theological Review: Law and loss, response to catastrophe in numbers 15. Yale University.

 PFEIFFER. CHARLES F. E  HARRISON, EVERETT F. Comentário Bíblico Moody, Editora Batista Regular, São Paulo, 2010.

PHILLIPS, ANTHONY C J. Journal of Theological Studies n° 36 no 1 Ap 1985, p 146-150.

SCHULTZ, SAMUEL. A história de Israel no Antigo Testamento, Ed Vida Nova, São Paulo, 2009.

SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL: Concordância Exaustiva do Conhecimento Bíblico. Sociedade Bíblica do Brasil, 2002; 2005, S. Nm 15:29-36.

STUBBS, DAVID L. Numbers Brazos Theological Commentary on the bible. Brazo Press, 2009.

WENHAN, GORDON J. Números: Introdução e Comentário. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1985. Págs. 136 a 139.      

WIERSBE, WARREN. Comentário Bíblico Expositivo, Pentateuco. Santo André: Geográfica Editora, 2006.

WHITE, ELLEN G. Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, 2007


quarta-feira, 4 de junho de 2014

O novo ateu

Nota importante: Texto adaptado com base no artigo de Ricardo Barbosa de Souza, Pastor na Igreja Presbiteriana do Planalto (DF), Revista Eclésia.




"Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca, pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabe que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu". Apocalipse 3:15 a 17


O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante.

Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Os cristãos modernos creem como os outros creram, mas não se entregam como os antigos se entregaram. 

Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.

A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta aos olhos de Deus não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.

Citamos com convicção nossas crenças, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dele e a relevância da comunhão com ele. 

Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.

Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho. O pensamento é: Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos "ateus crentes".

Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dele para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador.

O problema da igreja em Laodicéia é que Cristo está do lado de fora:

"Eis que estou a porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo". Apocalipse 3:20


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Salvo indicação contrária, todas as referências bíblicas neste texto são da: SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. A Bíblia Sagrada. Revista e Atualizada no Brasil. 2° ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.